quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Dança da noite

Por vezes no calor do anoitecer, sinto-me vazio, despido, incapaz de perseguir a alegria que tanto queria. Pintei-me de branco para me conseguires ver ao longe, no fundo da rua. Onde a noite é menina e dança só para mim, com todos aqueles passos no tempo certo como que numa requintada estrutura, que é quebrada no maior dos silêncios.
Porque és negra? Porque me pinto de branco?
Estou aqui, já dei o grito que percorrera todas as veias do meu silêncio, e acordou o adormecido lobo. Nasceu a força, veio a luz, consegui ver mais um dos teus sorrisos. Aqueles que gostas de esconder no mais audaz dos teus egoismos. Que victória.
Foi uma luta, foi uma noite, foram duas noites... foram todas as estrelas que contei e multipliquei por mil para saber quantos desejos tenho com o teu corpo. A mais ousada criação de Apólo. Deu luz ao que era preto, iluminou os meus olhos vestindo-te de branco. Foi aqui que o meu grito ganhou voz, foi aqui que olhas-te para mim e me viste no cantinho da janela, à chuva, calado, a chamar por ti.

2 comentários:

alguem que so queria ter uma alcunha... disse...

posso classificar como sendo o meu preferido?

Teixeira, Paulo disse...

claro. haja liberdade =)