quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Ouve bem!

Ouve bem! Está aqui a palavra
que percorre o meu ser,
a palavra que te quer
contente.
Imaginei o sol das mais diferentes
cores e resolvi atirar-lhe uma
corda e trazê-lo até mim.
Erguio como de uma taça se tratasse.
Era a luz.
Está nela tudo o que precisamos para
ver o caminho. Para que
percebamos que por vezes cortar
a direito é voltar ao cabo das tormentas.
Eu, já cortei muitas vezes a direito
seguindo na escuridão aquilo
que a presença dos deuses me dizia.
Fui ali, corri, saltei e brinquei
e voltei sempre a casa.
É no meu quarto que estão os
meus brinquedos, é lá onde estão
muitas das minhas lágrimas,
muitas das minhas loucuras e o
devaneio das minhas paixões.
Junto aos super-heróis de plástico
guardei muito de mim.
Escrevi frases, o meu diário e talvez este poema.
Sabes o que acho?
Por vezes somos obrigados a
crescer sem querer e caimos sem
que nos empurrem, deixamos para
trás uma criança que tanto esteve em nós,
habituamo-nos ao mundo a sério.
Comprámos a camisa, outros a gravata
e vamos sorrindo ou aprendendo a sorrir
e dizem que nos fizemos homens. Mas
dizem que nas crianças está a luz.
Ouve bem!
Imagina.
Imagina o sol das mais diferentes cores
atira-lhe uma corda e trá-lo para junto de ti.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Dança da noite

Por vezes no calor do anoitecer, sinto-me vazio, despido, incapaz de perseguir a alegria que tanto queria. Pintei-me de branco para me conseguires ver ao longe, no fundo da rua. Onde a noite é menina e dança só para mim, com todos aqueles passos no tempo certo como que numa requintada estrutura, que é quebrada no maior dos silêncios.
Porque és negra? Porque me pinto de branco?
Estou aqui, já dei o grito que percorrera todas as veias do meu silêncio, e acordou o adormecido lobo. Nasceu a força, veio a luz, consegui ver mais um dos teus sorrisos. Aqueles que gostas de esconder no mais audaz dos teus egoismos. Que victória.
Foi uma luta, foi uma noite, foram duas noites... foram todas as estrelas que contei e multipliquei por mil para saber quantos desejos tenho com o teu corpo. A mais ousada criação de Apólo. Deu luz ao que era preto, iluminou os meus olhos vestindo-te de branco. Foi aqui que o meu grito ganhou voz, foi aqui que olhas-te para mim e me viste no cantinho da janela, à chuva, calado, a chamar por ti.